domingo, 13 de junho de 2010

Perdidos no meio das mudanças

Para o sociólogo Christian Smith, a nova geração de adultos cristãos enfrenta o paradoxo entre a liberdade e a indecisão

De acordo com estudos modernos, jovens adultos tendem a tentar esticar liberdades da adolescência



O liberal francês Alexis de Tocqueville escreveu, no século 19, que “quando há uma ausência de autoridade, tanto na religião ou na política, os homens logo se amedrontam com a independência ilimitada com a qual são confrontados e com a inquietação constante de tudo”. Suas palavras atravessaram quase 200 anos para ganhar novo significado nessa tal de pós-modernidade. As duas áreas citadas pelo autor do clássico Democracia na América – coincidência ou não, justamente aquelas que, costuma-se dizer, não se deve discutir – parecem padecer da falta de valores mais sólidos. Por outro lado, a multiplicidade de oportunidades e a decadência dos modelos clássicos de poder têm moldado uma geração em crise consigo mesma e com a figura da autoridade. No mais das vezes, Deus acaba indo de roldão na confusa mistura de ego, consumo e imaturidade que caracteriza a vida dos cristãos do século 21, principalmente aqueles que estão chegando agora à idade adulta.

O sociólogo Christian Smith, da Universidade Notre Dame e diretor do Centro para os Estudos da Religião e da Sociedade, é um observador arguto deste momento da sociedade ocidental e da Igreja. Ele toma emprestado o termo cunhado pelo colega Jeffrey Jensen Arnett para definir essas pessoas na faixa entre os 18 e os 25 anos e que possuem mais opções do que em qualquer geração anterior. “Isso molda seriamente as crenças e práticas religiosas dos adultos emergentes”, diz o estudioso. No seu entender, trata-se de um dos grupos etários mais autoindulgentes, confusos e ansiosos, já que são conduzidos a uma “adultolescência” que impede a maioria de assumir compromissos com pessoas e instituições.

O conceito da adolescência prolongada é fenômeno típico das sociedades industrializadas, mas também se observa em nações emergentes como o Brasil. Este período da vida apresenta características específicas. Ele é marcado, notadamente, pela exploração da identidade, pela instabilidade, pelo autofoco e pela percepção de múltiplas possibilidades. “É mesmo uma época de transição, de vivência do sentimento de in-between (algo como estar entre duas coisas)”, explica Smith. A prioridade nesta fase, concordam os estudiosos, é a entrada no mundo adulto e a construção de uma estrutura de vida estável. Pesquisas mostram que, nos Estados Unidos, a média do casamento mudou de 21 anos para as mulheres e 23 para os homens, nos anos 1970, para 26 e 26, respectivamente, em 1996. O padrão manteve-se na mesma proporção em relação à chegada do primeiro filho. Já em Portugal – outra nação em que os estudos demográficos já incluem a questão da adultez emergente –, a idade média do ingresso na paternidade deslocou-se dos 23,5 anos para os 28 anos.

Autor de livros como Souls in transition (Almas em transição) e Soul searching (O esquadrinhar da alma), Smith identifica seis tipos religiosos de adultos emergentes, que vão dos irreligiosos aos espiritualmente comprometidos (ver quadro). A fé cristã é o traço comum à maioria, já que herdaram-na dos pais ou a adquiriram nas primeiras fases da vida – o que difere, e muito, é a maneira como ela interfere em sua existência.

CRISTIANISMO HOJE – Quais são as mudanças culturais que têm produzido essa geração de adultos emergentes?

CHRISTIAN SMITH – Basicamente, a transformação social verificada a partir dos anos 1960 e 70 é que levou a isso. Agora, há uma proporção bem maior de jovens que passam mais anos estudando, período que vai muito além do ensino fundamental e médio. Eles dedicam anos a fio a cursos superiores e pós-graduações. Com isso, tendem a esperar mais tempo para assumir os compromissos da vida adulta, como definição da carreira e constituição de família. Em outras palavras, querem ficar “livres” por mais tempo. Outro fator são as mudanças na economia global, que faz com que os empregos sejam mais instáveis e imprevisíveis. Atualmente, você não pode se acomodar num mesmo emprego por toda sua vida, ao contrário do que acontecia nas gerações anteriores. Talvez você seja transferido, talvez seja despedido, talvez haja necessidade de uma nova capacitação – e todos esses fatores fazem com que os jovens fiquem sempre numa expectativa de algo que eles mesmos não sabem exatamente o que é.

A característica desse grupo é a falta de compromisso?
De certa forma, tudo o que esse adulto emergente quer é ficar desvairado e livre, pulando de um parceiro sexual a outro, ou de uma atividade a outra, por exemplo. Conforme terminam seus anos de adolescência, os jovens entendem que basicamente eles mais uns dez anos para se divertir antes de ter a sua própria família e se adequar ao seu “verdadeiro emprego”.

Como essas transições afetam as atitudes religiosas dos adultos emergentes?

A maioria do que acontece na vida destes adultos emergentes trabalha contra compromissos sérios com a fé e também em relação ao estabelecimento de raízes numa determinada confissão ou congregação. Muitos dos adultos emergentes são desconectados de coisas religiosas. A mobilidade geográfica e social, a vontade de querer ter várias opções, de se soltar e viver a vida são fatores que reduzem o compromisso mais sério com a fé. Mesmo aqueles que tiveram uma criação religiosa buscam uma identidade diferente da tradição familiar. Há também um segmento bem maior de jovens adultos que é abertamente hostil a qualquer religião. Como são autoindulgentes, acham que não precisam de religião para que se tornem boas pessoas. O mundo do adulto emergente é muito fechado em si. Adultos mais velhos geralmente são os seus chefes ou professores, aos quais têm de provar continuamente seus méritos. Para alguns adultos emergentes, esse caos ajuda a descobrir que a religião pode ser um antídoto extremamente útil. E somente alguns procuram a fé em Deus para lhes dar estabilidade; a maioria nem chega a buscar nada desse tipo. Mas, somente vão perceber isso após passarem por muitas dificuldades.

Os adolescentes, conforme sua argumentação em Soul Searching, têm uma desconexão estrutural do mundo adulto. Isso vai necessariamente repercutir nas fases seguintes de sua vida?

O fator principal são os pais. Por bem ou por mal, os pais são extremamente importantes em moldar a trajetória de fé dos seus filhos. O papel dos pais é primordial e não somente em falar aos seus filhos sobre o que crêem, mas viver o que falam. Existe um número expressivo de adultos emergentes que foram criados em famílias seriamente comprometidos com a religião e que seguem em frente com o que lhes foi ensinado. Mas a cultura do adulto emergente coloca muitas pressões deteriorantes nas práticas de fé. Devo frisar que sou um sociólogo, e não um consultor prestando um serviço para a Igreja. Todavia, em termos das implicações do nosso trabalho para as igrejas, as duas palavras-chave são engajamento e relacionamentos. Não podemos apenas realizar programas ou classes ou entregar as pessoas para o pastor de jovens. As mudanças verdadeiras acontecem quando as pessoas estão se relacionando.

Sendo assim, que tipo de respostas a Igreja pode oferecer às ansiedades desse segmento?

Conectar-se com os adultos emergentes vai exigir mais criatividade e iniciativa do que estou vendo nesta atual conjuntura. Em primeiro lugar, é preciso identificar que existe essa fase da vida. Não é que simplesmente temos adolescentes a depois temos os adultos – ou seja, não se trata do simples passar dos anos. Esse período de transição complexa é uma construção recente, historicamente falando, e precisa ser abordado. O que significa isso? E como isso se encaixa na formação da fé? As igrejas precisam perceber que a demografia e a família estão mudando. Se a Igreja tem como função primordial ministrar somente para famílias de núcleo tradicional – homem, mulher e seus filhos vivendo sob o mesmo teto –, segmentos inteiros não serão alcançados. Isso vai requerer mais autoconsciência e respostas a perguntas como “O que temos falado” e “O que estamos fazendo aqui”. Necessariamente, será preciso avaliar criticamente a linguagem que se usa, os programas que se oferece, para que esses jovens não se sintam excluídos e possam descobrir interesses além do culto de louvor tradicional e da escola dominical.

Os adultos emergentes gostam da igreja emergente, aquela que reúne-se de maneira mais informal e critica a institucionalização das organizações religiosas?

A reposta final seria sim. As igrejas emergentes descobriram algo que promove uma conexão melhor com essa onda de pessoas jovens. A ênfase desse movimento, se de fato for um movimento – já que sua presença, até agora, ainda é pequena – é uma resposta de bastante sucesso ao que está acontecendo na cultura do adulto emergente. Aonde houver esta igreja, ela será bem mais intrigante e atraente para um adulto emergente do que uma igreja que tenha uma abordagem mais tradicional. Mas esse pessoal está prestando bastante atenção ao que lhes está sendo oferecido. Se, então, a igreja emergente não tem alguma coisa que a diferencia de maneira genuína daquilo que os adultos emergentes já possuem de sobra, eles não vão prestar atenção nem por dois segundos.

Sua pesquisa parece gerar dúvidas sobre estudos anteriores que constataram que uma educação mais avançada corrói as crenças religiosas…

Sim. Não é que os estudos anteriores estavam errados. O problema é que o mundo está realmente mudando. De fato, a faculdade não mudou nada em termos do resultado da corrosão da fé dos jovens. Talvez, em alguns casos, até sirva para fortalecer a crença de alguns. Existe um número crescente de professores evangélicos nas faculdades, além da presença de grupos universitários religiosos e ministérios cristãos atuando ali, num engajamento intelectual que seria repelido tempos atrás. A cultura também mudou: a espiritualidade agora é mais aceitável do que em décadas passadas. A maioria dos professores sabe que não podem falar coisas estupidamente antirreligiosas na sala de aula e escapar impunes. Não estamos na década de 1950. Isto não quer dizer que os pais podem ficar despreocupados por completo quando seus filhos vão para a faculdade – mas é que agora existem fatores que permitem que as comunidades de fé possam providenciar o suporte necessário para os jovens que estão na faculdade.


Da Rejeição ao compromisso

Em seu livro Souls in transition, escrito em parceria com Melinda Lundquist Denton, Christian Smith identifica as características de alguns grupos de adultos emergentes:

Tradicionalistas comprometidos – São aqueles que abraçam uma forte fé religiosa, cujas crenças sabem articular bem e também praticam ativamente. As religiões às quais se filiam tendem a ser fundamentadas em tradições de fé já estabelecidas, históricas.

Aderentes seletivos – Muitas vezes, receberam uma criação solidamente religiosa, mas são mais criteriosos no que se refere à adoção das crenças da sua tradição. Eles discordam ou ignoram os preceitos de sua fé quando o que está em jogo é a liberdade pessoal – não deixam que a religiosidade interfira, por exemplo, em seus comportamentos

Espiritualmente abertos – Não têm um compromisso específico com alguma fé religiosa, mas apesar disso são abertos a ouvir sobre assuntos espirituais. A sua atitude pode ser resumida com o seguinte raciocínio: “Provavelmente, deve haver mais alguma coisa além disso tudo”

Religiosamente indiferentes – Tendem a se distrair e investem tempo com outras coisas na sua vida, e assim não têm tempo para se dedicar à religião. Simplesmente, a fé não é uma prioridade nas suas vidas. Ao contrário de alguns aderentes seletivos, os indiferentes religiosos não sentem nenhuma culpa verdadeira ou remorso pela sua falta de interesse em práticas devocionais

Desconectados – Procedem de famílias e relacionamentos que simplesmente lhes isolam da maioria das coisas religiosas

Irreligiosos – Os irreligiosos têm, em geral, uma atitude incrédula, depreciativa ou até antagônica em relação à fé. Muitos já questionaram e fizeram perguntas intelectuais e existenciais sobre a religião e chegaram à conclusão de que ela não faz sentido. Até aceitam que a religiosidade exerce papel positivo para muitas pessoas, mas preferem o secularismo

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Mais uma vergonha nacional

Governo manda ao congresso projeto que premia atletas das Copas de 58, 62 e 70
O governo enviou nesta quinta-feira ao Congresso projeto de lei que dá um prêmio de R$ 100 mil a todos os jogadores da seleção brasileira de 1958, 1962 e 1970 e um auxílio especial mensal para complementar os ganhos até o limite do valor máximo do salário-de-benefício do regime geral de previdência social
O prêmio de R$ 100 mil será pago em única parcela. Caso o jogador já tenha morrido, a mulher ou filhos podem se habilitar a requerer o dinheiro.No caso do auxílio especial mensal, ele servirá para completar a renda mensal. O valor limite é de R$ 3.416,54.
O auxílio poderá ser pago a mulher e filhos menores de 21 anos ou inválidos do jogador falecido, desde que a invalidez seja anterior à data em que completaram vinte e um anos.
Os recursos do prêmio serão provenientes do orçamento do Ministério do Esporte e, para o pagamento do auxílio especial, do Ministério da Previdência Social. Para valer, o projeto ainda tem que ser aprovado pelo Congresso Nacional.
Fonte: Fonte: SIMONE IGLESIAS da Sucursal de Brasília (Folha Online e Folha de S. Paulo)

É LAMENTAVEL QUE EM UMA NAÇÃO DE MILHÕES DE MISERÁVEIS UM GOVERNO SE PROPONHA A USAR O DINEIRO DO CONTRIBUINTE PARA DISTRIBUIR AOS JOGADORES. ELES NÃO SÃO OS HEROIS NACIONAIS, MAIS MHEROIS SÃO OS TRABALHADORES QUE VIVEM COM MENOS DE UM SALÁRIO MÍNIMO, OS APOSENTADOS E TANTOS OUTROS.
O NOME DISSO É POLÍTICA POPULISTA E QUALQUER BOM PISCICÓLOGO PODERÁ EXPLICAR, AS ELEIÇÕES ESTÃO AI.
A CBF VAI LUCRAR SOMENTE ESTES PRÓXIMOS ANOS MILHÕES DE DOLÁRES E NÃO PRESTA CONTA A NINGUÉM SENÃO A UM CONSELHO FISCAL PELEGO E DEPENDENTE DE SEU PRESIDENTE. QUE A CBF PAGUE AOS SEUS HEROIS, POIS ELES LEVARAM O NOME DELA A SER O QUE É HOJE.
PUBLICO ABAIXO UM DEPOIMENTO QUE RECEBI E QUE ESTÁ EM ALGUNS BLOGS. SUPOSTAMENTE ESCRITO POR TOSTÃO, EX JOGADOR DA COPA DE 70. NÃO SEI DA TOTAL OU PARCIAL VERACIDADE DO TEXTO. SE FOR VERDADEIRO APLAUDO, SE NÃO FOR, DEVERIA SER.
Miguel Uchoa

Depoimento atribuído a Tostão

Na semana passada, ao chegar de férias, soube, sem ainda saber detalhes, que o governo federal vai premiar, com um pouco mais de R$ 400 mil, cada um dos campeões do mundo, pelo Brasil, em todas as Copas.
Não há razão para isso. Podem tirar meu nome da lista, mesmo sabendo que preciso trabalhar durante anos para ganhar essa quantia.
O governo não pode distribuir dinheiro público. Se fosse assim, os campeões de outros esportes teriam o mesmo direito. E os atletas que não foram campeões do mundo, mas que lutaram da mesma forma? Além disso, todos os campeões foram premiados pelos títulos. Após a Copa de 1970, recebemos um bom dinheiro, de acordo com os valores de referência da época..
O que precisa ser feito pelo governo, CBF e clubes por onde atuaram esses atletas é ajudar os que passam por grandes dificuldades, além de criar e aprimorar leis de proteção aos jogadores e suas famílias, como pensões e aposentadorias.
É necessário ainda preparar os atletas em atividade para o futuro, para terem condições técnicas e emocionais de exercer outras atividades.
A vida é curta, e a dos atletas, mais ainda.
Alguns vão lembrar e criticar que recebi, junto com os campeões de 1970, um carro Fusca da prefeitura de São Paulo . Na época, o prefeito era Paulo Maluf. Se tivesse a consciência que tenho hoje, não aceitaria.
Tinha 23 anos, estava eufórico e achava que era uma grande homenagem.
Ainda bem que a justiça obrigou o prefeito a devolver aos cofres públicos, com o próprio dinheiro, o valor para a compra dos carros.
Não foi o único erro que cometi na vida. Sou apenas um cidadão que tenta ser justo e correto. É minha obrigação.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Este mundo esta mentindo para você...



Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.. Jo 8:32
A sociedade em que estamos vivendo neste momento da humanidade é uma sociedade mentirosa! Mas Miguel, não é esta uma afirmação pesada ? Será mesmo pesada? Ou será que temos fugido de assumir esta verdade? Porque veja bem...

A  classe política mente para nós, os que seriam os nossos representantes se tornam exatamente aqueles que solapam os recursos que deveriam servir para o bem comum...
O presidente mente, quando diz a todos que não está fazendo campanha para a sua candidata
Nossos ídolos mentem para nós, quando usam a mídia, cobram altos caches para anunciar produtos que prometem, por exemplo, corpos esbeltos na mágia de semanas...
Os meios de comunicação mentem para nós, quando levam a cabo um estilo de propaganda enganosa, sugerindo prazer, prestígio, beleza, naquilo que é a maior causa de câncer e doenças cardiovasculares do mundo...
As telenovelas mentem para nós, promovendo os contra valores, a promiscuidade, a ambição, através de atores bem aparentados que induzem as pessoas a verem estas coisas sem enxergarem o que está por detraz delas...
Pregadores de ilusão mentem para nós, quando prometem até o que Jesus nunca prometeu
São muitas as expressões de mentira destes dias. Por isso, a verdadeira igreja de Jesus Cristo, que somos nós, tem o dever de se posicionar e não se moldar a estes tempos. A desenvolver um estilo de vida que desmascare estas mentiras.
A única maneira de se fazer isso, é vivendo um estilo de vida sugerido por aquele que nunca mentiu e nunca mentira. Ele mesmo afirma ser “O caminho e verdade e a vida”, e assim o único caminho para o Pai e a sua vontade.
Seja diferente deste século, opte pela verdade se submeta a sua libertação... assim mesmo que este mundo continue mentindo, Jesus sempre lhe mostrará a verdade.

sábado, 3 de abril de 2010

"A Vergonha” - crônica de Luiz Fernando Verissimo sobre o BBB'


Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB),
produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A décima (foi longe) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência. Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB 10 é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB 10 é a realidade em busca do IBOPE. Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB 10. Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas
parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas. Se entendi corretamente as apresentações, são 15 os “animais” do “zoológico”: o judeu tarado, o gay afeminado, a dentista gostosa, o negro com suingue, a nerd tímida, a gostosa , a “não sou piranha mas não sou santa”, o modelo Mr. Maringá, a lésbica convicta, a DJ intelectual, o carioca marrento, o maquiador drag-queen e a PM que gosta de apanhar (essa é para acabar!!!).
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível.
Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse
programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade. Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis? Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os
professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados..
Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo santo dia. Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna. Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).
Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo. O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta
centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão. Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?

(Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores ) Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda
resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade

sábado, 27 de março de 2010

Não, não fomos para frente


Quando adolescente escutei muito a marcha que tentava motivar a nação a seguir acreditando que aquele regime cruel ditatorial, cerceador de liberdades estaria levando a nação brasileira ao progresso


“Este é um país que vai pra frente lá lá lá lá lá...”
Outros cantavam, uma versão diferente
“Este é um país que vai pra frente quá quá quá quá !”
Esta ultima sempre me pareceu mais acertada.
Hoje sou um homem formado 53 anos Eng de Pesca, Bacharel em teologia, e me pós graduando em ciência da religião, estudei em diversos lugares do globo, tenho conhecido diferentes culturas e povos, possuo amigos nos 4 cantos do planeta e já acumulei algumas histórias para contar, experiências para partilhar, lutas e dilemas vividos, contradições com as quais lutei e luto, mas algo ficou ainda vivo em minha vida.. a razão, o senso crítico a capacidade de observar alguns detalhes da vida e da sociedade .

Nosso país, concluo eu, ainda não foi para frente, nos livramos de uma ditadura, mas entramos em um regime pseudodemocrata e , com risco, rumamos para a tentativa dos moscovitas petistas , xiitas de carteirinha que se encantaram com o poder e as suas benesses e querem nos conduzir para o obscuro de um regime forte, estatal, padrinho de todos e pai de poucos.
Não , não fomos para frente!
Ontem, o casal Nardoni foi condenado, cena triste de ver, um pai e uma madrasta sendo julgados pelo assassinato de uma ingênua e indefesa criança. Isso por si já é um grande absurdo, deve nos causar tristeza, vergonha como seres humanos de perceber onde chegamos. Mas, não fomos para frente.. nem como nação, nem como seres humanos. O forum de santana se transformou numa arena, torcida organizada, gritos de guerra, gente brincando com a miséria humana e muita ausência de bom senso.. como via de regra essas arenas possuem. Visto pela Tv parecia torcida em fim de jogo esperando os adversários derrotados ou os vencedores aclamados...
Gente rindo, fazendo piadas, pulando de alegria como se um gol tivesse sido marcado, braço e punho fechados levantados e gritando “ assassinos”
Não os vejo de outra forma, pelo que parece e pelo julgamento são sim assassinos cruéis, mas isso não me alegra, não me tira de casa para com insanidade gritar, hurrar, viajar quilometros para simplesmente estar no local de uma cena triste como essa.. a derrota da humanidade não pode me alegrar, perdemos mais um jogo..
Não, não fomos para frente!
Ligo o Jornal na TV e agora assisto o presidente da república, mais uma vez se expressando de maneira inadequada..o que já virou rotina. Apoiado por uma platéia de papagaios sangue sugas em suas costas que riem como auditório pago de tudo que ele diz.
O presidente da República federativa do Brasil, em local público, evento governamental, faz pouco caso e chacotas da Justiça desta mesma república que lhe aplicou uma multa por fazer campanha fora de hora e reaplicou pela sua reincidência “ Não posso dizer o nome de uma pessoa pois se eu disser vocês é que vão pagar a conta...”
O presidente não percebe que caçoa de sua nação, da justiça do país que ele mesmo comanda e atira em seus próprios pés, pois em algum momento precisará dessa mesma justiça
Não, não fomos para frente!

quarta-feira, 17 de março de 2010

Um presidente incoerente


O Presidente Lula, mostra mais uma de suas incoerências, atente:
" Não faz parte da boa diplomacia interferir nos assuntos internos de um país amigo" Lula & Celso Amorim referindo-se ao não pronunciamento sobre a anti democracia cubana, a tortura em suas prisões e a greve de fome.
" Não colabora com o processo de paz a construção de novos assentamentos na Jerusalém Oriental"  Lula, em discurso no parlamento Israelense em 16.03.10  sobre a decisão de Israel de realizar estas contruções.
A ideologia do Presidente o desqualifica para mediar qualquer conflito no Oriente médio.