domingo, 12 de fevereiro de 2012

CARNAVAL o quê de fato está por detrás dessa festa?


Ë comum nessa época do ano termos acesso a textos que procuram fazer uma verdadeira “exegese” dos assuntos carnavalescos ou uma análise etimológica da palavra carnaval. Dispenso ambas iniciativas por entender ser isso desnecessário. Não precisamos ir muito longe para perceber que o carnaval é de fato a festa da carne. Por outro lado, sabemos que as origens da festa estão ligadas ao momento que precede a quaresma, que na fé cristã historicamente é um período de recolhimento e reflexão em preparação para a páscoa. Na realidade o carnaval é um feriado religioso e se restringe à 3ª feira dia em que se celebrava tudo e de todas as formas possíveis para que no dia seguinte recebessem as cinzas do arrependimento da 4ª feira, onde há ou haviam os tradicionais culto de cinzas, agora  olhando para os 40 dias de abstinências e retiro que já comentamos ser a quaresma.  
Na prática, pouco ou nada disso acontece mais, nem o carnaval é um feriado religioso, nem a quaresma tem o mesmo significado que já teve em termos de reflexão e abstinências. Algumas tradições cristãs realizam  o culto e as missas de cinzas, mas nem de perto podemos dizer que essa prática faz parte da cristandade hoje como já fez um dia.Lembro de uma vez que o bispo primaz da igreja católica Romana no Brasil fez duras críticas contra as celebrações carnavalescas, mas porque estavam entrando na 4ª feira e isso era inadmissível dizia ele, pois já faz parte da quaresma. Achei um pouco estranha a posição daquela autoridade eclesiástica porque se limitava a defender a 4ª feira e sequer fazia uma menção aos dias e até semanas que as pessoas vinham vivendo em bebedeiras e extravagância de todo tipo.
O carnaval é uma festa ambígua em minha opinião, não posso deixar de ver o lado cultural de tantas manifestações, do espírito do artista brasileiro que vem à tona de forma tão nítida nesse período. É indiscutível que a criatividade do povo não se esgota e a cada ano surgem novas criações, nomes de blocos engraçadíssimos, pessoas que investem em algumas fantasias que nos tiram risadas só em ver e imaginar as cenas. Muitos vão se lembrar da história daquele folião que vinha no meio da multidão puxando uma coleira e gritando vem Bob vem Bob!  As pessoas abriam caminho com receio de um cachorro para depois perceberem que ele apenas puxava um “bob”de cabelo. Isso sem falar do bloco do “eu sozinho”e tantas outras iniciativas hilárias.
No entanto é inegável que o carnaval não se restringe a isso e como tantas outras coisas, foi perdendo a ênfase folclórica e dando cada vez mais lugar a uma verdadeira busca por algo mais, um extra vazamento do ser que persegue uma satisfação qualquer e que em nome disso esquece qualquer limite e se entrega a tudo e a todos. Como em tudo, não podemos generalizar, mas não há como negar que essa é a ênfase da grande maioria, o que vem tornando a festa cada vez menos segura e cada vez mais um terreno fértil para o uso exagerado de bebidas, o consumo de drogas e a prática de uma sexualidade desenfreada. Não é a toa que o governo não investe na distribuição de preservativos no natal, na semana santa e em outros períodos festivos como faz nesse período do ano.
Ë necessário ainda observar tudo isso sob a lente da espiritualidade cristã. Jesus Cristo disse que o mundo jaz no maligno, e não é preciso chegar o carnaval para concluirmos isso. Mas fazendo uma análise da festa sob esta ótica, não podemos deixar de observar alguns aspectos e afirmar que o bom senso sugere que os cristãos confesso se mantenham afastados desta celebração. Não há como negar que as festividades têm um cunho espiritual por traz de tudo. Senão vejamos. O carnaval de Recife e Olinda é aberto com a noite dos tambores silenciosos.(CAMARA CASCUDO,Luis da. Dicionário do folclore Brasileiro. Rio de Janeiro Edições de Ouro 1954.; http://basilio.fundaj.gov.brhttp://ne10.uol.com.br/canal/carnavalOra todos sabem que esse evento é uma invocação às divindades africanas feitas pelos maracatus que, sabemos, além de sua beleza plástica e ritmo contagiante tem um componente espiritual fortíssima. Na realidade, é como uma entrega da festa a estas divindades e na concepção cristã isso é abominação ao Senhor. Nada mais contagiante e belo do que os desfiles das escolas de samba, especialmente do Rio de Janeiro. Aqueles batuques, aquelas baterias produzem um som alucinante e os dançarinos e dançarinas são de uma leveza impressionante. Mas seria ingenuidade ou cegueira eletiva tentar omitir de nossas mentes que da mesma forma por detrás de tudo aquilo está uma componente espiritual muito intensa. Muitas das letras dos sambas enredos, além de passagens históricas fazem alusão e louvação a entidades do candomblé e de outras tendências religiosas espiritualistas. Não é novidade para ninguém que os líderes destes grupos são em sua maioria esmagadora devotos de “santos guerreiros”, filhos de “santo” e com suas histórias totalmente ligadas a estas práticas, trazendo assim para suas escolas a louvação a estas entidades, o que compromete a imparcialidade espiritual do movimento.
Com estes exemplos e com a prática de um período de exageros e como citei extravasamentos do ser, esta festa se torna a cada dia e de fato a festa da carne e os cristãos, por não se sentirem motivados ao extravasamento da carne e sim a busca de um controle de seus impulsos carnais e a busca de uma vida limpa e pura diante de Deus devem se afastar desse momento e devem ensinar aos seus filhos que da mesma forma se afastem de tudo isso, não simplesmente porque é um pecado, mas porque toda a raiz está comprometida, as intenções estão maquiadas, e a espiritualidade pagã permeia toda a festa. Tenho dito que por detrás da mais simples fantasia de uma festividade infantil escolar nesse período, está uma intenção espiritual que reveste toda a festa. Não há como separar. Se incentivo meu filhinho a se fantasiar hoje e participar das festividades, não poderei me queixar que, quando jovem ou adulto ele deseje seguir adiante e se envolva na totalidade da festa, se expondo a estes riscos e à contaminação espiritual. O que a sabedoria de provérbios diz é que devemos ensinar a criança no caminho que ela deve andar e quando adulta não se desviará desse caminho!!
Por isso, desde que conheci a Cristo verdadeiramente, abri meus olhos e consegui enxergar o que de fato está por detrás dessa festa, e assim, me afastei dela, mesmo admirando seu colorido e sua componente folclórica e cultural. Um dos mais novos blocos do carnaval de Recife se chama “Culto a Baco”, criado em 2007 o grito de “fé” desse bloco irreverente é: Eu não vou ao culto orar, eu vou ao culto a Baco! Ora Baco é o mitológico Deus do vinho e não precisa ir mais adiante para perceber que isso vai além de uma simples irreverência. Talvez isso seja difícil de entender para alguém que não conhece a Cristo e confessa essa fé, mas  você que sabe disso, pode facilmente perceber o que de fato está por detrás dessa festa.
Miguel Uchôa

14 comentários:

Roberta Falbo disse...

Excelente pastor, principalmente quando o senhor fala na orientação que devemos dar aos nossos pequenos, a coisa é muito sutil...abraços, Roberta.

Juanna disse...

MUUUUITO BOM PASTOR! QUE VERDADE! BJS. Juanna

Eliane disse...

Pastor Miguel, gostei demais das suas colocações a respeito dessa festa. Do tanto que me preocupo com as drásticas consequências na saúde e em tantos outros aspectos da vida das pessoas, já nem consigo mais "ver" a alegria dessa festa. Quando ela vai se aproximando, já fico angustiada! Só Deus tem misecórdia do ser humano. Vamos continuar orando... Abração! Eliane Andrade

Josenaide disse...

Um texto excelente - equilibrio e verdade.

Debs disse...

Palavras abençoadas para abrir os nossos olhos para o verdadeiro significado de tudo isso. Nada melhor mesmo que orar pela infinita misericórdia do Senhor por todos nós :)

Victor Costa disse...

Miguel, sou forçado a discordar do seu texto em vários aspectos.

1. Brinco carnaval desde que me entendo por gente, nunca exagerei em nenhum aspecto.

2. Sou fã incondicional do frevo que é o principal ritmo do carnaval pernambucano e que não traz nenhuma invocação a nada em suas letras.

3. Educação é uma coisa, religião é outra. Privar o filho de uma festa da escola, alienando-o e isolando da sociedade de maior convívio dele não ajudará em nada a sua educação.

4. Se todos os cristãos vivessem de fato o que pregam, não fugiriam do carnaval. Iriam curtir a sua maneira sem vícios, excessos, abusos. Apenas pela cultura, pelo povo, pela festa.

Ari disse...

Excelente!

Felipe Souza disse...

Uma dica, pastor: adote um design mais claro para o seu blog. Nada de fundo escuro. Prejudica menos a vista dos leitores, principalmente quando se lê um texto grande como esse.

Ana Leimig disse...

Querido pastor, como sempre, suas palavras sábias e poderosas ecoam em nossos corações. Por traz desta "festa" estão comportamentos imorais e desvirtuosos, levando contra-valores a nossa família. Vamos fazer a diferença e seguir os propósitos de Deus.
Ana Leimig

Miguel Uchôa disse...

Victor
Obrigado pela participação. como eu disse cada qual vê por uma perspectiva!
Miguel

Miguel Uchôa disse...

Acabo de assistir no jornal da TV a declaraçào de um dos líderes do encntro dos maracatus que acontecerá hoje a noite ele disse "é um momento religioso, estamos aqui coma a autorização dos Orixás e como é uma festa de rua a presença de Exú é constante..." or isso percebam que as raízes da festa estão comprometidas... como cristão não dá para ficar fazendo concessões!

Anônimo disse...

pois é, Miguel, tb vi...Clamo para que as pessoas se permitam receber essa mensagem...e saiam da escuridão...Hoje não vejo mais nem a beleza das fantasias...vejo o que está por trás..afinal existem muitas coisas belas para serem apreciadas! Abs, Mary Alves

Patricia Melo Atelier disse...

Boa tarde Pastor Miguel
Pela primeira vez estou em seu blog, pois me interessei pelo seu artigo sobre o carnaval. Na verdade somos de religiões diferentes(sou espírita), mas seguimos ao mesmo Deus. Apesar de muitos por desconhecimento, generalizarem o espiritismo, incluindo no termo os cultos afro, seguimos uma linha totalmente diferente, com uma doutrina cristã raciocinada e a caminho de Jesus.O espiritismo também orienta seus adeptos a não participarem das festas carnavalescas, por tudo isso que o senhor falou e também por ser uma festa de alegrias momentâneas, culto aos excessos e desrregramentos. Estamos durante o carnaval todo, reunidos trabalhando em prece pelos irmãos que ainda não entenderam o verdadeiro sentido da alegria eterna em Cristo. Oremos nós então, pois como bem disse o amoroso apóstolo Pedro: "Acima de tudo porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor, cobre mutidão de pecados". Fique em paz.

Priscila disse...

Muito bom Pastor, concordo com o senhor em tudo!!
Já frequentei muito essa festa e depois que conheci a Cristo, sinto uma vontade enorme de estar bem longe quando vai chegando esse período!
Queria que mais pessoas pudessem ver por essa perspectiva a qual eu julgo como certa!
Valeu Pastor!!!