sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Cuide de sua liderança



Em 1998 participei do Treinamento Avançado em Liderança do Instituto Haggai no centro de treinamento de Maui Havai. Durante um mês fui ministrado sobre todos os aspectos que envolvem um líder e especialmente um líder eclesiástico. Ao final daquele programa fui chamado a uma sala pelo diretor que me perguntou : “ o que você leva daqui?” respondi sem titubear : “ eu tinha uma caixa de ferramentas que estava fechada, agora vocês me ajudaram a abri-la , obrigado por isso .

Desde então a minha vida e ministério sofreram profundas mudanças. Passei a investir nessa área e especialmente investir nos potenciais líderes dentro de minha comunidade. Promovemos treinamentos, selecionamos pessoas , criamos cursos permanentes, motivamos a leitura de livros na área, ministramos do púlpito e, acima de tudo, desenvolvemos uma relação mais próxima com estas pessoas. Hoje, nossa igreja possui 5 pastores como parte de uma equipe multidisciplinar cada qual cuidando com esmero de uma determinada área ou base de ministério, e, todos eles saíram dos bancos de nossa igreja. Além disso, outros estão em formação. Isso sem contar as quase duas centenas de líderes que mantemos em nossa lista de e mail e com os quais nos comunicamos regularmente, estes são os líderes de ministérios e de células, nossos pequenos grupos.

Digo isso apenas como ilustração, muito ainda precisamos fazer nessa área, mas a partir da decisão de cuidar e investir em liderança a igreja tomou um novo rumo de crescimento em todas as direções, digo quantitativa e qualitativa.

Segundo John Maxwell liderança é influência e como poderemos exercer liderança na sociedade sem influenciá-la? Tenho sido insistente entre meus colegas pastores e em todos os círculos que convivo dizendo: cuide de sua liderança, invista neles..tudo que se investe em liderança tem retorno garantido para a saúde e equilíbrio da igreja e de qualquer organização.

Posso testemunhar este momento que estou vivendo. Desde Maio deste ano estou afastado do pastorado da PAES ( Paróquia Anglicana Espírito Santo). Passei o comando para o Pr auxiliar e me retirei para tratamento de um mieloma múltiplo ( tipo de câncer). Desde então tudo na igreja foi realizado sem a minha presença e nenhum dos programas, cursilhos, encontros, reuniões, absolutamente nada sofreu solução de continuidade.

Meu coração está feliz porque percebo que o processo desse cuidado e investimento está sendo realizado com relativo sucesso e a igreja segue seu rumo adiante. Agora, estou bem melhor e começando a retornar a algumas atividades, Mas Ainda muito de leve, preguei na igreja domingo dia 03 de Outubro após 141 dias sem ministrar a palavra daquele púlpito, meu coração estava vibrante, mas especialmente porque ao retornar encontrei pessoas que não me conheciam, que haviam se convertido na minha ausência e que estavam firmes na fé. Que alegria!

Como igreja, temos o propósito de abençoar a cidade nessa área e trouxemos para Recife já faz 3 anos a maior conferência de liderança do globo numa parceria coma Associação Willow Creek de Chicago ( Pr Bill Hybels) Falo do Global Leadership SUMMIT que esse ano acontecerá entre os dias 25-27 de Novembro. Informe-se a respeito no Tel 34623121 faça sua inscrição e tome um verdadeiro banho de liderança.

Quando cuidamos de nossos líderes e de nossa própria liderança investimos no Reino em proporções geométricas.

Miguel Uchôa

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Eleições o que fazer?

Caros Amigos
Repasso um texto bem escrito e coerente que vale a pena refletir, afinal de contas é o futuro do pais que está em jogo.
Abraços

Ozires Melo
(Ex-ministro e fundador da EMBRAER)

"Acordei hoje com um pensamento fixo: "Preciso escolher meu candidato à Presidência da República." Mas, votar em quem??? O primeiro pensamento foi: NÃO VOTAREI NA DILMA!!! Mas por quê? Seria por causa do Lula?
Quando lembro-me do Lula, tenho uma certa aversão, mas aí vem o pensamento: "Como posso ter aversão a um presidente que na última pesquisa teve 81,7% de aprovação pelo povo brasileiro? (Fonte: "Jornal A Folha de São Paulo"). Comecei a imaginar que o problema está em mim e não no Presidente Lula".
Pensei até que esta aversão poderia ser pela lembrança de minha adolescência quando via as reportagens de um Lula, um pouco "descabelado" sobre um caminhão ou palanque, com uma grande barba negra, gritando...
E como comecei a pensar no passado, resolvi analisar parte da história, onde grandes países que também passavam por grandes desigualdades, fomes e crises, elegeram um presidente de partidos populares, vindo normalmente do povo sofrido.
Iniciei analisando a grande potência do início do século XX, a Rússia. Em fevereiro de 1917, na Revolução Russa, houve a queda da autocracia do Czar Nicolau, o último Czar a governar, e procuraram estabelecer em seu lugar uma república de cunho liberal.
Já em novembro de 1917, houve a Revolução de Outubro, na qual o Partido Bolchevique, liderado por Bu Abuláh, derrubou o governo provisório e impôs o governo socialista soviético.
Os Bolcheviques eram considerados a maioria, que pretendiam a implantação definitiva do socialismo na Rússia através de reformas radicais com o apoio do proletariado. Este grupo era formado por uma facção do Partido Operário Social-Democrata Russo, liderada por Vladimir Lenin.
As primeiras medidas tomadas pelo novo governo foram a reforma agrária(com a distribuição de terras aos camponeses), a nacionalização dos bancos e fábricas, (sendo que a direção destas últimas foi entregue aos operários) e a saída da 1ª guerra mundial. Ao retirar-se do conflito, a Rússia assinou com a Alemanha a Paz de Brest-Litovsk, entregando aos alemães algumas regiões russas.
Nesta tomada do poder, Lenin tinha uma popularidade positiva de 89% e assim ele fundou e implantou o Comunismo na Rússia e exportou para outras nações posteriormente, como Cuba, China e Coréia do Norte (fonte: Os Bolcheviques - Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre).

Continuando na história chegamos à década de 30.

Olhando para outro país que passava por crises, principalmente por ter perdido uma guerra (1ª guerra mundial), a Alemanha vê em um homem, vindo do povo e com apoio de um partido popular, um grande líder.
É pouco provável que algum dirigente político do século 20 tenha igualado o grau de popularidade alcançado por Adolf Hitler (1889-1945) na Alemanha, nos dez anos que se seguiram à sua chegada ao poder, em 30 de janeiro de 1933. O apoio da população ao Partido Nazista era tímido se comparado à veneração dos alemães por seu líder máximo, que tinha 92% de popularidade enquanto governava a Alemanha (fonte: "Livro Hitler, 1889-1936, e Hitler, 1936-1945, Ian Kershaw, W.W. Norton, 1998 e 2000").
O culto ao mito exerceu um papel determinante no funcionamento do Terceiro Reich e na aterradora dinâmica do nazismo. Adorado pelo povo, adulado por seus subordinados e temido no resto da Europa, Hitler entrou para a História como a encarnação da barbárie, o artífice do Holocausto, o símbolo de um dos regimes mais horrendos já conhecidos da humanidade.
Na mesma época, outra nação passava por insatisfação com os resultados do final da 1ª guerra mundial, crescente insatisfação popular por alto índice de inflação, empobrecimento do povo, desemprego e fome. Então surge do meio do povo um líder, vindo da guerra e com um partido com objetivo de ter um governo forte e autoritário : Benito Mussolini, junto com seu partido, o Partido Nacional Fascista. No poder, Mussolini alcançou da popularidade de 77% na Itália (fonte: Benito Mussolini - Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre).
Bem, sou apaixonado por História, pois aprendi que quem não conhece História não é capaz de construir um grande futuro, e nós temos que sempre analisar todos os pontos possíveis quando nos propusermos a tomar uma decisão importante como votar para Presidente da República.
Cheguei à conclusão de que minha aversão ao Lula tem fundamento,baseado no modo autoritário de governar. Em uma entrevista, quando ele é punido pelo STE por fazer campanha antes do tempo para sua candidata, afirma que não concorda em obedecer a juízes, mostrando em sua fala que é contra a democracia.
E analisando nossos candidatos, não creio que temos muitas escolhas, infelizmente, mas creio que posso contribuir para que o Brasil não seja, no futuro próximo, mais um país governado por alguém eleito pelo povo humilde, que coloca suas esperanças nas mãos de alguém que promete muito, sem condições de cumprir nem 10%.
E minha preocupação aumenta, quando vejo que a segurança do povo, a maior instância do poder judiciário, pode ter sua credibilidade contestada.
Estou falando o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, que é composto por juízes elevados ao posto de ministros. Esses ministros são indicados pelo Presidente da República e se forem aprovados pelo Congresso, assumem uma cadeira no lugar de quem se aposenta ou morre. Dos 11, temos uma indicação ainda do Sarney, uma do Fernando Collor de Melo e duas do Fernando Henrique Cardoso e SETE do Presidente Lula.
O Supremo Tribunal Federal (STF) é a mais alta instância do Poder Judiciário do Brasil e acumula competências típicas de Suprema Corte e Tribunal Constitucional. Sua função institucional principal é de servir como guardião da Constituição Federal.
Mais quatro anos no poder, sendo o guia uma mulher que parece uma marionete, poderemos ter um STF totalmente indicado por eles e os nossos olhos e voz, nos jornais não comprometidos com o governo, poderão ser fechados e calados, como está atualmente o jornal O Estado de São Paulo e Diário do Grande ABC que, por ordem do STF, não podem falar de nenhum aliado do governo.
Lula olha para Dilma nos palanques e aponta o dedo dizendo: CONTINUIDADE! CONTINUIDADE! (Fonte: Jornal de Pé de Figueira de11/08/2010 com a matéria: A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, afirmou, em seu primeiro comício em Minas Gerais ao lado do presidente Lula, que vai fazer de seu governo uma continuação da atual gestão).
Continuidade da política da fome, onde ele pegou a idéia do governo anterior, a chamada Bolsa Escola, que concedia às famílias uma ajuda por enviar o filho a escola, tirando a criança do analfabetismo e suprindo assim a necessidade do seu trabalho infantil, e a transformou na Bolsa Família, que dá o dinheiro, independente da criança frequentar a escola. Assim, o pai recebe e ainda obriga o filho a trabalhar, não educando as crianças e aceitando as migalhas lançadas pelo governo.
Continuidade da ânsia pelo poder, mesmo fazendo alianças com grandes inimigos como Sarney, Renan Calheiros, Fernando Collor de Melo, como relatou o Jornal Nacional 09/08/2010.
Um país sem Educação, não pode ter senso crítico e ter condições de analisar o que é melhor para todos. Sem educação, você não conseguiria ler esta matéria, seu mundo seria reduzido. Sem educação, você viveria com uma mísera bolsa família e pediria para todos seus amigos e familiares votarem em quem lhe proporciona essa esmola.

Em quem vou votar???

Meu voto é secreto e não divulgarei, mas posso afirmar, NÃO VOTAREI NA DILMA!!!


quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Voltei...

Você esquecerá as suas desgraças, lembrando-as apenas como águas passadas. A vida será mais refulgente que o meio-dia, e as trevas serão como a manhã em seu fulgor. Você estará confiante, graças à esperança que haverá; olhará ao redor, e repousará em segurança. Você se deitará, e ninguém lhe causará medo, e muitos procurarão o seu favor. Jó 11:16-19
Domingo próximo passado, tive a alegria de voltar a ministrar a Palavra de Deus, pregar na minha amada PAES. As palavras não poderiam expressar o sentimento que havia em meu coração após me ausentar daquele púlpito por, contados 141 dias. Graças a Deus minhas condições físicas e clínicas estão cada vez melhor e me sinto muito fortalecido.
Voltar a fazer o que você mais ama é uma sensação impar, especialmente quando isso acontece depois de tanto sofrimento e momentos de tensão, e mesmo de tédio, como disse naquele ultimo domingo. Momentos em que sendo muito verdadeiro, não víamos o mar se abrir diante de nós, mas o Senhor, como diz a canção, nos fez andar por sobre as águas.
Sou grato a todos e todas as centenas e porque não dizer milhares de pessoas em todo mundo que tem nos sustentando em suas orações. Desde crianças até idosos, naqueles momentos mais difíceis sentíamos que andávamos por sobre as suas mãos estendidas em nossa direção nos sustentando.
Obrigado aos pastores de tantas igrejas que dificilmente eu poderia nominar aqui, obrigado do fundo de meu coração a vocês todos que tem nos sustentado e especialmente a essa linda comunidade cristã que tem se tornado a PAES (Paróquia Anglicana Espírito Santo), minha família cristã mais próxima. E principalmente a minha Família, minha esposa Valéria guerreira sempre presente e meus filhos Gabriel e Matheus pelo apoio e amor recebidos sempre deles.
Os próximos passos e que vão requerer nossas orações desde já são esses: Dia 18 exame clinico, se eu estiver pronto, iremos para São Paulo para iniciar o processo de auto-Transplante que deverá durar entre Novembro e Dezembro.
Continuaremos firmes e crendo que o melhor de Deus ainda está por vir

Miguel Uchôa




quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Uma noite de Oasis em meio a um deserto de ausência

Em meados de Junho deste ano fui diagnósticado com uma enfermidade chamada mieloma multiplo. Um nome estranho para um leigo como eu, mas que diz respeito a um tipo de cancer que ataca na sua maioria homens de idade semelhane a minha. Hospitalizado , eu e minha esposa vimos a cortina escura da morte se aproximar de minha vida.
Após a equipe médica nos tranquilizar quanto as possibilidades de tratamento e de receber o apoio e testemunho de um querido irmão em Cristo, Manoel (Nequinho) que havia passado pelo mesmo problema e já havia encerrado o tratamento, fomos aliviados do pior.
Mas, naturalmente isso não me tirou da crise de profundas dores e do período de um Mês que passamos no hospital em tratamento. Sou grato às centenas e centenas de pessoas que passaram por aquele hospital, deixaram mensagens, mandaram presentes, cartazes... sou grato acima de tudo à minha linda comunidade cristã a PAES, que tem me coberto de carinho,de generosidade, de presença, de serviço, sim muito serviço , temos recebido todo tipo de apoio, pessoas que se revesam em levar refeições à nossa casa, mulheres da igreja que se deslocamde seus serviços para ajudar minha esposa e faxinar a nossa casa, e minha secretária particular waleska que simplesmente se mudou para nossa casa e lá nos ajuda em toda logistica necessária.... e, especialmente de oração, as reuniões de oração se multiplicaram na igreja, vigilias semanais e as orações de cada pessoa que tem se colocado diante de Deus pela minha vida e especialmente pela minha recuperação. Entendam bem...para mim, isso é igreja!!!
Estou em pleno tratamento, me sinto a cada dia melhor, minhas taxas melhoram e meu corpo, responde de maneira positiva. Estou em casa, junto à minha amada família e isso tem feito uma grande diferença em cada dia que se passa, nesse período, que de deserto está se tornando um celeiro de momentos com Deus e uma oportunidade de colocar em prática alguns projetos engavetados.
Mas , minha alegria maior nesse período deu-se na ultima 2ª feira 23 de Agosto. Após cerca de 100 dias sem pisar na minha amada igreja, onde sirvo como pastor, fui liberado pela médica para participar de um culto especial da rede de células em comemoração aos 14 anos de nossa igreja e a inauguração do novo depto infantil.
Quando entrei nas dependëncias do templo e vi aquela comunidade louvando ao Senhor e me rebendo em prantos e louvores, meu coração foi sustento pelas misericórdias de Deus, minha emoção foi incontida e minha alegria saltava dentro de mim como uma criança que recebe aquele presente tão desejado.
Mesmo sendo ainda apenas uma visita, mesmo sabendo que tenho adiante de mim uma jornada a cumprir que levará algum tempo, mesmo sabendo que ainda existe uma luta... meu coração foi confortado e minha alegria renovada. Foi uma noite memorável um oasis em meio a esse “deserto” de ausência.

domingo, 22 de agosto de 2010

É possível termos uma visão mais generosa de Igreja ?

Continunado dentro do tema Igreja, emergente, submergente, tradicional etc. Pense um pouco nestas atitudes abaixo e analise, você discorda de alguma dessas expressões?


Apologética – Viva sua fé, compartilhe sua vida
Comunidade- Peregrinando juntos com um propósito comum
Vida contextual – Simplesmente esteja lá, presente
Conversa – Querendo entender a outra pessoa
Eclesiologia – Desejando desafiar as estruturas tradicionais de igreja
Vida Encarnacional – E a palavra se gente e veio para a vizinhança
Humildade – Confiando em Deus
Liberdade – Vocës irmãos foram chamados para serem livres
Ortodoxia generosa – No essencial unidade, no não essencial, liberdade em tudo amor
Relevância – O que são as boas novas para quem vive à margem
Teologia narrativa – Fazendo parte da maior história de Deus
Tolerância – Graça para aqueles que são diferentes
Transparência – Desejando tirar as máscaras sem se esconder mais
Verdade – Simples e direta, Jesus é a única verdade
Autenticidade – Somos todos ícones quebrados
Consciência Cultural – Amando todos os filhos de Deus
Incomformidade – Indo contra a corrente
Missional – Sendo parte da missão de Deus de reconciliação
Mistério – Da água para o vinho, me explique isso?
Pós moderno – Sem dar enfase as questões ainda não resolvidas
Adoração – liberdade, espontaneidade, profundidade
Essas são, na minha opinião algumas marcas de uma “nova” maneira de ser igreja que está emergindo no mundo hoje. E ela se encontra tanto fora, quanto dentro das igrejas tradicionais. Batistas, presbiterianos, anglicanos, e outros podem da mesma forma emergir nessa “nova” maneira de ser e manter seus vínculos com suas tradições. Uma igreja que se volta para as pessoas, sem mêdo de sair de seus muros, questionar suas “vacas sagradas” e ser simplesmente Igreja.

sábado, 14 de agosto de 2010

emergindo ou submergindo...para onde está indo a igreja?

Recentemente vem se polarizando de maneira totalmente desnecessária a discussão sobre igreja emergente e igreja tradicional. Seria ingenuidade ir fundo nessa discussão como se ela tivesse uma lógica provavel.

Existe sim uma igreja emergente, com conceitos mais leves, focada nos perdidos e procurando usar dos melhores metodos para levar a cultura pós moderna ao conhecimento de Jesus Cristo como Senhor e salvador.
Dizer que isso não é válido seria insanidade.

Da mesma forma existem , erros, delírios etc... que podem não levar isso a acontecer de maneira completa. Mas isso não desqualifica as igrejas que estão emergindo e sendo bem sucedidas. Essas igrejas são de todo tipo , tradicionais, recém plantadas, não denominacionais etc .

Uma coisa ninguém pode deixar de reconhecer, as igrejas ditas emergentes tem buscado falar a linguagem dessa geração sem comprometer a mensagem e a maioria dos extremos tradicionalistas estão tentando falar com essa geração numa linguagem medieval e ultrapassada.
Uma esta emergindo e a outra, me parece estar submergindo na irrelevância

Segundo o portal Igreja Emergente [www.igrejaemergente.com.br], uma igreja emergente é basicamente “um movimento cristão onde as pessoas buscam viver sua fé em um contexto social pós-moderno”. Cunhada no final da década de 90, a terminologia se aplica aquelas comunidades que tem como principal marca a propagação do evangelho dentro das diferentes culturas urbanas.

O movimento já vinha ganhando projeção no Brasil, propagado principalmente através de blogs e sites na internet, mas obteve maior impulso após a publicação do livro “Ortodoxia Generosa”, de autoria de Brian Mclaren.
Sinceros, mas eventualmente equivocados
Os defensores e pregadores da chamada igreja emergente possuem motivações sinceras. Como missionário, reconheço que a igreja em algumas ocasiões hostilizou e violentou culturas ao invés de valorizá-las, e que isto de certo modo tem sido uma barreira para a pregação do evangelho. Para reparar essa situação, a igreja precisa desenvolver uma teologia que faça separação entre evangelho e cultura. Além disso, as mutações que vêm ocorrendo na sociedade pós-moderna demandam dos pastores e líderes uma revisão missiológica, reelaborando estratégias e contextualizando sua mensagem para que esta possa ser plenamente entendida pela geração emergente.

As chamadas igrejas emergentes estão preocupadas com o ouvinte e como ele recebe a mensagem e são taxados de relevarem a mensagem .Em seu desejo de pregar um evangelho que seja “aceitável” ao homem pós-moderno, acabam por negligenciar os pressupostos básicos do cristianismo. Isso pode acontecer, mas pelo lado liberal do movimento.

Relativismo, boas obras e ódio pela igreja

Segundo Kevin Corcoran, outra marca distintiva das comunidades emergentes é “a preferência pela vivência correta ao invés da doutrina correta” [1]. Para alguns, a doutrina realmente não importa, de modo que cosmovisoes excludentes como catolicismo e protestantismo são colocadas por eles no mesmo pacote. Estes simplesmente ignoram que não pode haver justificação onde não existe arrependimento e conversão à Verdade. Ao demonstrarem excessiva preocupação com a práxis em detrimento da doutrina, eles se aproximam mais do catolicismo e do espiritismo do que da tradição evangélica, uma vez que a ênfase recai sobre as obras e não sobre a fé. Naturalmente que isso não é uma regra , igrejas identificadas com o movimento emergente são também ortodoxas doutrinariamente.

Existe ainda uma corrente pós-igreja dentro da igreja emergente, que afirma que a própria igreja é o problema e tentam despir-se dela. “Eles sequer usam a palavra igreja e dizem: Nada do que eles fizeram, nós faremos”, diz Jason Clark , outro líder do movimento. Muitos rejeitam até mesmo o título de cristãos e não consentem, em nenhuma hipótese, que chamem suas comunidades de igrejas.

Nestes casos a enfase está em desconstruir a igreja e construir algo que se assemelhe, mas que necessariamente não precisa ser como a igreja.

Conservadores x Liberais: Duas correntes no movimento

Considerado por muitos como emergente, Mark Driscoll, pastor da Mars Hill Church em Seatle, crê que a igreja emergente tem um lado positivo, que é o de reconhecer a importância da missão dentro da cultura urbana. No entanto, ele mesmo denuncia a ideologia predominante no movimento, que chama de “a ultima versão do liberalismo” . Tendo sido um dos precursores deste modelo de igreja, o pastor diz ter se afastado assim que percebeu que os líderes emergentes estavam entrando por um caminho estranho, e hoje fala abertamente do seu desacordo com Rob Bell e Brian Mclaren, representantes da ala emergente liberal. Mark é talvez o maior divulgador do que poderíamos chamar de lado bom do movimento emergente.

Dan Kimball, autor do livro “A Igreja Emergente”, também reconhece que há vozes dissonantes dentro do movimento, e faz distinção entre igrejas emergentes e igrejas que estão emergindo. Seja como for, sua abordagem corrobora a ideia de que existem pelo menos duas facções dentro do movimento. As igrejas emergentes, neste caso, seriam caracterizadas por uma teologia liberal e liderança descentralizada, enquanto as igrejas que estão emergindo (ou emergentes conservadoras), embora nutridas do mesmo desejo de alcançar a geração pós-moderna, são culturalmente liberais, mas possuem uma doutrina ortodoxa, fazendo clara distinção entre evangelho e cultura.

Revendo conceitos

É verdade que existe certa confusão dentro do movimento emergente, mas não podemos negar que algumas das questões levantadas por seus proponentes são realmente importantes: “Que estratégias devem ser usadas para levar o evangelho à geração pós-moderna? A igreja institucional tem sido boa representante de Cristo? Qual o limite entre a contextualização e o sincretismo religioso? Até que ponto devemos mergulhar nas diferentes culturas urbanas para pregar o evangelho?” Estas são perguntas sinceras que merecem uma resposta franca e honesta.
A igreja emergente nasce da nossa falta de preocupação e reflexão missiológica, e apesar da sua ala liberal dominada pressupostos incompatíveis com o evangelho, o movimento possui pontos positivos e tem muito a ensinar-nos. Contudo, precisamos ter muito cuidado para jamais, em nome da forma, comprometer o conteúdo do evangelho. Não podemos exagerar em nosso desejo de ser relevantes culturalmente, pois o evangelho sempre será loucura e escândalo para os incrédulos e ao tentar torná-lo mais atraente, podemos acabar convertendo-o em algo que ele não é.
Adaptado
Leonardo Gonçalves blog pulpito cristão

domingo, 13 de junho de 2010

Perdidos no meio das mudanças

Para o sociólogo Christian Smith, a nova geração de adultos cristãos enfrenta o paradoxo entre a liberdade e a indecisão

De acordo com estudos modernos, jovens adultos tendem a tentar esticar liberdades da adolescência



O liberal francês Alexis de Tocqueville escreveu, no século 19, que “quando há uma ausência de autoridade, tanto na religião ou na política, os homens logo se amedrontam com a independência ilimitada com a qual são confrontados e com a inquietação constante de tudo”. Suas palavras atravessaram quase 200 anos para ganhar novo significado nessa tal de pós-modernidade. As duas áreas citadas pelo autor do clássico Democracia na América – coincidência ou não, justamente aquelas que, costuma-se dizer, não se deve discutir – parecem padecer da falta de valores mais sólidos. Por outro lado, a multiplicidade de oportunidades e a decadência dos modelos clássicos de poder têm moldado uma geração em crise consigo mesma e com a figura da autoridade. No mais das vezes, Deus acaba indo de roldão na confusa mistura de ego, consumo e imaturidade que caracteriza a vida dos cristãos do século 21, principalmente aqueles que estão chegando agora à idade adulta.

O sociólogo Christian Smith, da Universidade Notre Dame e diretor do Centro para os Estudos da Religião e da Sociedade, é um observador arguto deste momento da sociedade ocidental e da Igreja. Ele toma emprestado o termo cunhado pelo colega Jeffrey Jensen Arnett para definir essas pessoas na faixa entre os 18 e os 25 anos e que possuem mais opções do que em qualquer geração anterior. “Isso molda seriamente as crenças e práticas religiosas dos adultos emergentes”, diz o estudioso. No seu entender, trata-se de um dos grupos etários mais autoindulgentes, confusos e ansiosos, já que são conduzidos a uma “adultolescência” que impede a maioria de assumir compromissos com pessoas e instituições.

O conceito da adolescência prolongada é fenômeno típico das sociedades industrializadas, mas também se observa em nações emergentes como o Brasil. Este período da vida apresenta características específicas. Ele é marcado, notadamente, pela exploração da identidade, pela instabilidade, pelo autofoco e pela percepção de múltiplas possibilidades. “É mesmo uma época de transição, de vivência do sentimento de in-between (algo como estar entre duas coisas)”, explica Smith. A prioridade nesta fase, concordam os estudiosos, é a entrada no mundo adulto e a construção de uma estrutura de vida estável. Pesquisas mostram que, nos Estados Unidos, a média do casamento mudou de 21 anos para as mulheres e 23 para os homens, nos anos 1970, para 26 e 26, respectivamente, em 1996. O padrão manteve-se na mesma proporção em relação à chegada do primeiro filho. Já em Portugal – outra nação em que os estudos demográficos já incluem a questão da adultez emergente –, a idade média do ingresso na paternidade deslocou-se dos 23,5 anos para os 28 anos.

Autor de livros como Souls in transition (Almas em transição) e Soul searching (O esquadrinhar da alma), Smith identifica seis tipos religiosos de adultos emergentes, que vão dos irreligiosos aos espiritualmente comprometidos (ver quadro). A fé cristã é o traço comum à maioria, já que herdaram-na dos pais ou a adquiriram nas primeiras fases da vida – o que difere, e muito, é a maneira como ela interfere em sua existência.

CRISTIANISMO HOJE – Quais são as mudanças culturais que têm produzido essa geração de adultos emergentes?

CHRISTIAN SMITH – Basicamente, a transformação social verificada a partir dos anos 1960 e 70 é que levou a isso. Agora, há uma proporção bem maior de jovens que passam mais anos estudando, período que vai muito além do ensino fundamental e médio. Eles dedicam anos a fio a cursos superiores e pós-graduações. Com isso, tendem a esperar mais tempo para assumir os compromissos da vida adulta, como definição da carreira e constituição de família. Em outras palavras, querem ficar “livres” por mais tempo. Outro fator são as mudanças na economia global, que faz com que os empregos sejam mais instáveis e imprevisíveis. Atualmente, você não pode se acomodar num mesmo emprego por toda sua vida, ao contrário do que acontecia nas gerações anteriores. Talvez você seja transferido, talvez seja despedido, talvez haja necessidade de uma nova capacitação – e todos esses fatores fazem com que os jovens fiquem sempre numa expectativa de algo que eles mesmos não sabem exatamente o que é.

A característica desse grupo é a falta de compromisso?
De certa forma, tudo o que esse adulto emergente quer é ficar desvairado e livre, pulando de um parceiro sexual a outro, ou de uma atividade a outra, por exemplo. Conforme terminam seus anos de adolescência, os jovens entendem que basicamente eles mais uns dez anos para se divertir antes de ter a sua própria família e se adequar ao seu “verdadeiro emprego”.

Como essas transições afetam as atitudes religiosas dos adultos emergentes?

A maioria do que acontece na vida destes adultos emergentes trabalha contra compromissos sérios com a fé e também em relação ao estabelecimento de raízes numa determinada confissão ou congregação. Muitos dos adultos emergentes são desconectados de coisas religiosas. A mobilidade geográfica e social, a vontade de querer ter várias opções, de se soltar e viver a vida são fatores que reduzem o compromisso mais sério com a fé. Mesmo aqueles que tiveram uma criação religiosa buscam uma identidade diferente da tradição familiar. Há também um segmento bem maior de jovens adultos que é abertamente hostil a qualquer religião. Como são autoindulgentes, acham que não precisam de religião para que se tornem boas pessoas. O mundo do adulto emergente é muito fechado em si. Adultos mais velhos geralmente são os seus chefes ou professores, aos quais têm de provar continuamente seus méritos. Para alguns adultos emergentes, esse caos ajuda a descobrir que a religião pode ser um antídoto extremamente útil. E somente alguns procuram a fé em Deus para lhes dar estabilidade; a maioria nem chega a buscar nada desse tipo. Mas, somente vão perceber isso após passarem por muitas dificuldades.

Os adolescentes, conforme sua argumentação em Soul Searching, têm uma desconexão estrutural do mundo adulto. Isso vai necessariamente repercutir nas fases seguintes de sua vida?

O fator principal são os pais. Por bem ou por mal, os pais são extremamente importantes em moldar a trajetória de fé dos seus filhos. O papel dos pais é primordial e não somente em falar aos seus filhos sobre o que crêem, mas viver o que falam. Existe um número expressivo de adultos emergentes que foram criados em famílias seriamente comprometidos com a religião e que seguem em frente com o que lhes foi ensinado. Mas a cultura do adulto emergente coloca muitas pressões deteriorantes nas práticas de fé. Devo frisar que sou um sociólogo, e não um consultor prestando um serviço para a Igreja. Todavia, em termos das implicações do nosso trabalho para as igrejas, as duas palavras-chave são engajamento e relacionamentos. Não podemos apenas realizar programas ou classes ou entregar as pessoas para o pastor de jovens. As mudanças verdadeiras acontecem quando as pessoas estão se relacionando.

Sendo assim, que tipo de respostas a Igreja pode oferecer às ansiedades desse segmento?

Conectar-se com os adultos emergentes vai exigir mais criatividade e iniciativa do que estou vendo nesta atual conjuntura. Em primeiro lugar, é preciso identificar que existe essa fase da vida. Não é que simplesmente temos adolescentes a depois temos os adultos – ou seja, não se trata do simples passar dos anos. Esse período de transição complexa é uma construção recente, historicamente falando, e precisa ser abordado. O que significa isso? E como isso se encaixa na formação da fé? As igrejas precisam perceber que a demografia e a família estão mudando. Se a Igreja tem como função primordial ministrar somente para famílias de núcleo tradicional – homem, mulher e seus filhos vivendo sob o mesmo teto –, segmentos inteiros não serão alcançados. Isso vai requerer mais autoconsciência e respostas a perguntas como “O que temos falado” e “O que estamos fazendo aqui”. Necessariamente, será preciso avaliar criticamente a linguagem que se usa, os programas que se oferece, para que esses jovens não se sintam excluídos e possam descobrir interesses além do culto de louvor tradicional e da escola dominical.

Os adultos emergentes gostam da igreja emergente, aquela que reúne-se de maneira mais informal e critica a institucionalização das organizações religiosas?

A reposta final seria sim. As igrejas emergentes descobriram algo que promove uma conexão melhor com essa onda de pessoas jovens. A ênfase desse movimento, se de fato for um movimento – já que sua presença, até agora, ainda é pequena – é uma resposta de bastante sucesso ao que está acontecendo na cultura do adulto emergente. Aonde houver esta igreja, ela será bem mais intrigante e atraente para um adulto emergente do que uma igreja que tenha uma abordagem mais tradicional. Mas esse pessoal está prestando bastante atenção ao que lhes está sendo oferecido. Se, então, a igreja emergente não tem alguma coisa que a diferencia de maneira genuína daquilo que os adultos emergentes já possuem de sobra, eles não vão prestar atenção nem por dois segundos.

Sua pesquisa parece gerar dúvidas sobre estudos anteriores que constataram que uma educação mais avançada corrói as crenças religiosas…

Sim. Não é que os estudos anteriores estavam errados. O problema é que o mundo está realmente mudando. De fato, a faculdade não mudou nada em termos do resultado da corrosão da fé dos jovens. Talvez, em alguns casos, até sirva para fortalecer a crença de alguns. Existe um número crescente de professores evangélicos nas faculdades, além da presença de grupos universitários religiosos e ministérios cristãos atuando ali, num engajamento intelectual que seria repelido tempos atrás. A cultura também mudou: a espiritualidade agora é mais aceitável do que em décadas passadas. A maioria dos professores sabe que não podem falar coisas estupidamente antirreligiosas na sala de aula e escapar impunes. Não estamos na década de 1950. Isto não quer dizer que os pais podem ficar despreocupados por completo quando seus filhos vão para a faculdade – mas é que agora existem fatores que permitem que as comunidades de fé possam providenciar o suporte necessário para os jovens que estão na faculdade.


Da Rejeição ao compromisso

Em seu livro Souls in transition, escrito em parceria com Melinda Lundquist Denton, Christian Smith identifica as características de alguns grupos de adultos emergentes:

Tradicionalistas comprometidos – São aqueles que abraçam uma forte fé religiosa, cujas crenças sabem articular bem e também praticam ativamente. As religiões às quais se filiam tendem a ser fundamentadas em tradições de fé já estabelecidas, históricas.

Aderentes seletivos – Muitas vezes, receberam uma criação solidamente religiosa, mas são mais criteriosos no que se refere à adoção das crenças da sua tradição. Eles discordam ou ignoram os preceitos de sua fé quando o que está em jogo é a liberdade pessoal – não deixam que a religiosidade interfira, por exemplo, em seus comportamentos

Espiritualmente abertos – Não têm um compromisso específico com alguma fé religiosa, mas apesar disso são abertos a ouvir sobre assuntos espirituais. A sua atitude pode ser resumida com o seguinte raciocínio: “Provavelmente, deve haver mais alguma coisa além disso tudo”

Religiosamente indiferentes – Tendem a se distrair e investem tempo com outras coisas na sua vida, e assim não têm tempo para se dedicar à religião. Simplesmente, a fé não é uma prioridade nas suas vidas. Ao contrário de alguns aderentes seletivos, os indiferentes religiosos não sentem nenhuma culpa verdadeira ou remorso pela sua falta de interesse em práticas devocionais

Desconectados – Procedem de famílias e relacionamentos que simplesmente lhes isolam da maioria das coisas religiosas

Irreligiosos – Os irreligiosos têm, em geral, uma atitude incrédula, depreciativa ou até antagônica em relação à fé. Muitos já questionaram e fizeram perguntas intelectuais e existenciais sobre a religião e chegaram à conclusão de que ela não faz sentido. Até aceitam que a religiosidade exerce papel positivo para muitas pessoas, mas preferem o secularismo